Uma experiência prática envolvendo estudantes de Engenharia de Produção, Engenharia de Minas e Administração transformou conceitos de Pesquisa Operacional em uma experiência de tomada de decisão, trabalho em equipe e reflexão sobre problemas reais.
Durante as aulas da disciplina de Pesquisa Operacional, ministrada pelo Prof. Me. Bruno Alencar, os estudantes de Engenharia de Produção, Engenharia de Minas e Administração participaram da dinâmica “A Fábrica de Papel”, uma atividade desenvolvida para introduzir os primeiros conceitos da disciplina de maneira prática, participativa e conectada à realidade profissional.
A proposta foi simples, mas provocadora: divididos em grupos, os alunos receberam uma única folha de papel e foram desafiados a produzir o maior número possível de caixas utilizando exclusivamente aquele recurso.
Sem receber inicialmente um modelo pronto ou instruções detalhadas sobre como cortar e dobrar a folha, os grupos precisaram interpretar o problema, discutir estratégias, tomar decisões, testar possibilidades, medir, planejar e lidar com erros e desperdícios. O resultado foi uma aula marcada por intensa participação e interação entre os estudantes.
Muito além de construir caixas
Durante os minutos de execução, o professor acompanhou o comportamento dos grupos e realizou provocações sem fornecer as respostas, questionando, por exemplo:
- O que vocês estão tentando melhorar?
- Vocês já testaram essa ideia?
- Quanto papel estão desperdiçando?
- Vocês decidiram antes de medir ou mediram antes de decidir?
- Se começassem novamente, fariam alguma coisa diferente?
Essas perguntas fizeram com que os alunos percebessem que, por trás de uma atividade aparentemente simples, existiam diferentes decisões e possibilidades de solução.
A dinâmica permitiu observar diferentes comportamentos: alunos que começaram imediatamente a cortar, grupos que discutiram antes de agir, estudantes que buscaram medir e planejar, aqueles que construíram protótipos, grupos que desperdiçaram recursos e equipes que modificaram sua estratégia ao perceber que a primeira alternativa não era a melhor.
Dessa forma, o foco deixou de ser apenas “quem produziu mais caixas” e passou a ser “como cada grupo tomou suas decisões”.
A experiência transformada em conceito
Após a atividade, foi realizada uma reflexão coletiva. Os estudantes foram conduzidos a identificar, a partir da própria experiência, elementos fundamentais da Pesquisa Operacional:
- Problema: produzir caixas utilizando uma única folha.
- Objetivo: maximizar a quantidade de caixas produzidas.
- Recurso limitado: a folha de papel.
- Decisão: definir como utilizar, cortar e dobrar o recurso disponível.
- Alternativas: diferentes formas de corte, dobra e organização da produção.
- Desperdício: consequência de decisões, erros de medida, falta de planejamento ou mudanças de estratégia.
A partir dessa reflexão, os alunos perceberam que aquilo que acabaram de vivenciar representa a essência da Pesquisa Operacional: utilizar métodos e modelos para apoiar decisões, buscando melhores soluções diante de objetivos e restrições.
O fechamento foi conduzido a partir de uma provocação central: “Antes de calcular, precisamos saber o que estamos tentando resolver.”
Essa ideia conecta diretamente a dinâmica aos objetivos da disciplina, que busca desenvolver nos estudantes a capacidade de transformar problemas em modelos, analisar alternativas, utilizar recursos limitados de forma inteligente e apoiar decisões por meio de dados, lógica e métodos quantitativos.
Uma aula que conecta diferentes áreas
Um dos diferenciais da experiência foi a composição da turma, formada por estudantes de Engenharia de Produção, Engenharia de Minas e Administração, provenientes de diferentes períodos.
Essa diversidade possibilitou diferentes olhares sobre o mesmo problema e reforçou uma característica presente no mercado de trabalho: problemas reais não são resolvidos por uma única área do conhecimento.
A própria proposta da disciplina valoriza essa integração, considerando a Pesquisa Operacional como uma abordagem que envolve diferentes áreas, como engenharia, computação, economia, estatística, administração e matemática.
Assim, a dinâmica também contribuiu para desenvolver competências relacionadas a comunicação, liderança, colaboração, negociação, análise de alternativas e tomada de decisão em equipe.









