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Grupo Educacional Fupac/Unipac

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula

Em participação no programa Fala Mulher, da Rádio Queluz, a coordenadora do curso de Biomedicina, Camila Dias, falou sobre o Junho Laranja. A campanha busca conscientizar a população sobre o diagnóstico precoce e o tratamento da anemia e da leucemia, além de reforçar a importância da doação de sangue e de medula óssea. Confira a entrevista:

O que é a campanha Junho Laranja e qual a sua importância para a saúde pública?

O Junho Laranja fala sobre as doenças relacionadas ao sangue, como as anemias e as leucemias. Mas também destaca a importância da doação de sangue, da doação de medula óssea e do diagnóstico precoce. Portanto, é um mês que fala não só da preocupação consigo mesmo, mas também com o outro.

Quais são os principais sintomas da anemia? Quais grupos da população são mais vulneráveis?

Todo mundo engloba todas as anemias em um único pacote, e isso acaba sendo um pouco perigoso. É um conjunto de condições que podem ter diferentes causas. Os sintomas mais comuns incluem cansaço excessivo, fraqueza, palidez, tontura, falta de ar, dor de cabeça e dificuldade de concentração. Vou falar de três que são frequentes: a anemia ferropriva, que é a mais comum e ocorre pela falta de ferro — aquela em que sempre ouvimos dizer que cozinhar beterraba no feijão e comer fígado ajuda. Ela é a mais frequente. Temos também a anemia associada à deficiência de vitamina B12 e ácido fólico, mais frequente em idosos e pessoas com restrição alimentar e a anemia falciforme, que é genética e hereditária, esta requer acompanhamento especializado.

Quem pode ter anemia de uma forma geral?

Todo mundo pode ter, mas alguns grupos são mais vulneráveis, como crianças, idosos, mulheres em período fértil e pessoas que estão passando por algum processo de hemorragia são mais vulneráveis. Olhando para o nosso momento atual, muitas pessoas estão buscando perder peso e associando isso à mudança da alimentação de forma mais restritiva, à redução da ingestão de alimentos, à cirurgia bariátrica e ao uso de canetas emagrecedoras – quando não há acompanhamento médico e nutricional. Há muita pessoas desenvolvendo anemia por falta da ingestão dos nutrientes necessários. Por isso, é importante ter acompanhamento profissional, para uma alimentação equilibrada.

Como a alimentação pode ajudar na prevenção da anemia?

A alimentação é uma grande aliada na prevenção da maioria dos casos de anemias. A anemia ferropriva e a anemia causada pela deficiência de ácido fólico e vitamina B12 podem ser prevenidas ou tratadas com a alimentação, de forma geral.

Quando falo da anemia por deficiência de ferro, que é a mais comum, todo mundo já ouviu falar que é importante consumir feijão, grão-de-bico, fígado bovino e outras vísceras, como coração, pois são ricos em ferro. Além disso, verduras verde-escuras, como couve, espinafre, almeirão, serralha e taioba, também são importantes.

Um hábito simples que ajuda bastante é consumir uma laranja após o almoço, assim como outras frutas ricas em vitamina C. A vitamina C presente na laranja e em outras frutas cítricas, como limão e acerola, aumenta a absorção do ferro quando ingeridas juntas ou logo após a refeição. Já o café e alguns chás quando consumidos logo após as refeições podem dificultar essa absorção.

Quando falamos da deficiência de ácido fólico e vitamina B12, carnes, ovos, leites e derivados e frutos do mar auxiliam na reposição desses nutrientes. Vale lembrar que, quando a alimentação não é suficiente, pode ser necessária a suplementação de ferro, vitamina C, ácido fólico e vitamina B12. Mas somente um profissional poderá avaliar e indicar a suplementação adequada.

A campanha também busca conscientizar sobre a leucemia. Quais são os sinais de alerta que merecem atenção?

Embora a leucemia e a anemia afetem o sangue, elas são condições diferentes. Enquanto a anemia está relacionada, principalmente, a redução da hemoglobina ou das hemácias, a leucemia é um tipo de câncer que está relacionada aos glóbulos brancos. São doenças do sangue que afetam elementos diferentes.

Nossa geração tem uma referência marcante, que é a novela Laços de Família, em que a personagem Camila teve leucemia. Muitas pessoas se lembram dos sintomas apresentados por ela, como cansaço persistente, manchas roxas pelo corpo, hemorragias sem causa aparente e palidez. Incluem ainda febre frequente, sangramentos sem causa aparente, como no nariz ou nas gengivas, perda de peso inexplicada e dores nos ossos ou nas articulações.

 Nem toda é igual, pode ser aguda ou crônica. A forma aguda evolui de maneira mais rápida e agressiva, enquanto a crônica costuma ter evolução mais lenta. Dentro dessas classificações, existem diversos tipos.

A leucemia é um câncer e, de forma geral, todos nós temos medo desse diagnóstico, principalmente por imaginar um tratamento muito invasivo, cansativo e prolongado. Mas nem toda leucemia leva a um processo como o vivido pela personagem Camila, chegando à necessidade de um transplante de medula. O importante é que, ao perceber qualquer sintoma, a pessoa procure um médico. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento.

A leucemia pode afetar pessoas de qualquer idade?

Sim,a leucemia pode acometer qualquer pessoa. Existem tipos de leucemia são mais frequentes em crianças, enquanto outros ocorrem principalmente em adultos e idosos, e alguns são mais comuns em pessoas acima de 60 anos. Mas, de maneira geral, significa que independente da idade a pessoa pode ser acometida por essa doença, por isso é importante estar atento aos sinais de alerta e procurar avaliação médica caso os sintomas persistam. O diagnóstico precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Quais exames ajudam no diagnóstico precoce da anemia e da leucemia? Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

O diagnóstico precoce começa com um exame de sangue simples: o hemograma. Por meio dele conseguimos identificar alterações nas hemácias, nos glóbulos brancos e plaquetas que podem indicar essas doenças. Esse exame é oferecido pelo SUS; basta procurar uma unidade de saúde para realizar a consulta médica. Quando necessário, o médico poderá solicitar exames complementares para confirmar o diagnóstico e identificar a causa.

O diagnóstico precoce, tanto da anemia quanto da leucemia, é extremamente importante, porque permite iniciar o tratamento mais rapidamente, aumentando as chances de sucesso do tratamento. Vale ressaltar que quem deve interpretar os exames é o médico, porque os valores precisam ser analisados em conjunto com os sintomas, histórico do paciente e sinais clínicos. 

Cuidado ao usarem ferramentas de inteligência artificial para analisar exames, porque podem fornecer informações incorretas. Os dados friamente, sem uma análise multifatorial, podem levar a um diagnóstico errado e gerar pânico.

Existe forma de prevenir a leucemia?

Não existe uma forma específica de prevenção. No entanto, hábitos saudáveis contribuem para uma melhor qualidade de vida de forma geral, como manter uma boa alimentação e praticar atividade física regularmente. Também é importante evitar fatores de risco, como o tabagismo e a exposição desnecessária a substâncias tóxicas. Realizar acompanhamento médico periódico é uma medida importante. E não deixe de ficar atento aos sinais de alerta e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes é fundamental para possibilitar o diagnóstico precoce e aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Qual a importância da doação de sangue e de medula óssea para pacientes em tratamento?

Sempre relacionamos o mês de junho à doação de sangue, mas a doação é importante para pessoas que passam por diversos tipos de tratamento, inclusive procedimentos cirúrgicos, acidentes, tratamentos odontológicos e outras condições. Manter os bancos de sangue (hemocentros) abastecidos é fundamental.

Para doar sangue, a pessoa não pode estar com doenças infecciosas, não pode ter feito tatuagem ou micropigmentação recentemente e não deve estar utilizando determinados medicamentos. Homens podem doar até quatro vezes por ano e mulheres até três vezes, desde que não apresentem anemia, doenças autoimunes ou outras condições impeditivas. Antes de ir ao hemocentro, é importante verificar todos os critérios para doação.

Já a doação de medula óssea funciona de forma diferente. A pessoa realiza um cadastro como possível doadora vonluntária. Caso haja compatibilidade com algum paciente, o doador é chamado para realizar a doação. Mas a decisão final, é do doador, portanto é previso confirmar se deseja realmente realizar a doação. Ou seja, o cadastro não obriga ninguém a doar a medula óssea.

Uma dúvida muito comum é que muitas pessoas acreditam que a doação de medula óssea está relacionada à medula vertebral, conhecida como medula espinhal. Mas não é isso. A doação não é tão invasiva quanto muitas pessoas imaginam, ossos da bacia (cristas ilíacas), localizados na região do quadril, e não da coluna vertebral. Quando a doação é necessária, ela é realizada com anestesia e por profissionais especializados, por meio da coleta da medula desses ossos. E há outras formas ainda menos invasivas. São procedimentos seguros e que podem representar a única chance de cura para muitos pacientes.

Por fim, reforço a importância da doação de sangue e de medula óssea. Esses gestos simples podem fazer toda diferença e oferecer uma nova chance de salvar vidas de quem está em tratamento.

Junho Laranja: tire suas dúvidas sobre anemia, leucemia e doação de medula