Aluna, professoras e egressas da UNIPAC Lafaiete participaram, no dia 26 de março, do programa Fala Mulher, da rádio Queluz. Em entrevista à jornalista Kátia Matos, elas abordaram o tema “A importância da presença da mulher em espaços acadêmicos e profissionais”. Cada entrevistada trouxe suas percepções nas áreas de Biomedicina, Direito, Engenharia Civil e Pedagogia. Confira:
🔬 Liderança feminina na Biomedicina

Amanda Mendes Santos, professora do curso de Biomedicina: “Sempre fui apaixonada pelo estudo da Biologia, voltado para a saúde humana, desde a parte microscópica, como o estudo de células e bactérias, até o funcionamento do organismo. Isso me motivou a estar em contato diário com aquilo que me ‘faz brilhar os olhos’. Durante a graduação, percebi o desejo de continuar estudando e também de compartilhar conhecimento, e foi assim que segui o caminho da docência.
Minha maior inspiração profissional é minha mãe, que também é professora. Ao longo da minha trajetória acadêmica, tive grandes referências, como a professora de Biologia do ensino médio e docentes da graduação, que me apoiaram e mostraram caminhos possíveis. Hoje, tenho muito orgulho de chamá-las de colegas de profissão.
Sobre a presença feminina na área, a Biomedicina sempre contou com forte participação de mulheres, o que demonstra o quanto temos ocupado espaços relevantes na ciência e na saúde. É importante destacar o protagonismo da mulher biomédica, que cada vez mais assume posições de liderança, como responsáveis técnicas de laboratório, gestoras de clínicas e coordenadoras de curso.
Por ser um curso majoritariamente feminino, as barreiras acabam sendo mais sutis. Ainda assim, acredito que o principal desafio seja conciliar a vida profissional e pessoal. Nós, mulheres, somos muito cobradas — e também nos cobramos — em relação à casa, aos filhos e ao trabalho. Isso pode gerar sobrecarga e, muitas vezes, nos faz deixar de lado nossas próprias necessidades. Por isso, é importante aprender a equilibrar essas demandas e entender que está tudo bem não dar conta de tudo o tempo todo.”
🏗️ Construindo espaço na engenharia

Rayane Mendes, egressa do curso de Engenharia Civil e sócia do escritório KYM BIM e Engenharia: “Desde muito nova, sempre tive interesse pela área da arquitetura, especialmente pela parte de decoração. Com o tempo, fui amadurecendo essa ideia até conhecer a Engenharia Civil, que me apresentou um campo mais amplo. Percebi, então, que, além de decorar, eu queria construir. Sempre contei com o apoio da minha família, principalmente em relação ao meu futuro e crescimento profissional.
Atuar em uma área majoritariamente masculina é, sem dúvida, desafiador. De forma direta, nunca sofri preconceito, mas percebo olhares e certa desconfiança, por exemplo, quando apresentamos uma proposta a um cliente. Além de sermos mulheres, há também a questão da idade, já que somos jovens na profissão. Por isso, é fundamental transmitir confiança, demonstrar capacidade técnica e reforçar que gênero e idade não definem competência. É um processo constante, especialmente em um cenário ainda predominantemente masculino.
Observamos um aumento significativo de mulheres na Engenharia Civil. No entanto, muitas vezes, mesmo após concluírem a formação, elas precisam se provar mais, trabalhar mais e, por vezes, até estudar mais para alcançar espaços que já deveriam ser naturalmente acessíveis. Além disso, acumulam diferentes funções e nem sempre conseguem equilibrar vida profissional e pessoal.”

Keity Marques, egressa do curso de Engenharia Civil e sócia do escritório KYM BIM e Engenharia: “Escolher a Engenharia Civil teve, para mim, um significado muito emocional. Meu avô foi mestre de obras, e eu cresci visitando casas, apartamentos e prédios que ele ajudava a construir, vivenciando esse universo no dia a dia. Ele teve uma influência muito importante na minha decisão. Sempre contei com o apoio da minha família, especialmente por estar seguindo esse caminho.
Em relação ao preconceito, ele nem sempre é explícito, mas se manifesta em pequenas situações do cotidiano. Diante disso, buscamos sempre agir com profissionalismo e demonstrar nosso conhecimento na prática. Ser jovem não significa falta de preparo. Somos formadas por uma instituição reconhecida, tivemos uma formação de qualidade e estamos capacitadas para desenvolver nosso trabalho com responsabilidade.
Uma grande inspiração para mim é a coordenadora do curso de Engenharia Civil, Tatiana Rodrigues. Sempre foi uma profissional muito dedicada, disposta a ajudar e orientar. Além disso, nos apresentou uma visão realista do mercado de trabalho. Ela nos mostrou, na prática, que as mulheres podem ocupar todos os espaços dentro da engenharia, que é uma área ampla e cheia de possibilidades.”
📚 Força feminina na educação

Angélica Olinda Maciel do Nascimento, aluna do 7º período do curso de Pedagogia: “Sempre acreditei que a educação tem o poder de transformar vidas. Escolhi a Pedagogia porque percebi que queria fazer parte desse processo, contribuindo para o desenvolvimento das pessoas desde a infância. No início, é natural sentir insegurança, já que é uma decisão importante, mas tive o apoio da minha família e dos amigos, o que fez toda a diferença para seguir com mais confiança.
A Pedagogia é uma área com predominância feminina e, por isso, ainda enfrenta alguns preconceitos, especialmente por conta de uma visão antiga de que cuidar e educar seriam funções exclusivamente femininas. No entanto, essa realidade vem mudando, à medida que cresce o reconhecimento da importância da educação e da necessidade de profissionais qualificados, independentemente do gênero.
A presença feminina nos espaços acadêmicos e profissionais é fundamental, pois agrega sensibilidade, olhar humano e competência. Ao longo da minha trajetória, tive referências muito importantes, como Vanessa Tavares, coordenadora do curso de Pedagogia da UNIPAC, e Ana Carolina Chaves Ferreira, diretora acadêmica, de quem tive a oportunidade de ser aluna. Hoje, também trabalho com Ivonei, diretora e proprietária do Colégio Monteiro Lobato, que sempre digo ser uma grande inspiração. São mulheres que admiro pela dedicação e pela forma como conduzem a educação com responsabilidade.
Conviver com essas profissionais me proporciona aprendizados constantes, tanto na vida profissional quanto pessoal. Observar como enfrentam desafios, lideram equipes e mantêm o compromisso com a educação me motiva a evoluir e acreditar no meu potencial. Essas referências fortalecem minha caminhada na Pedagogia e mostram que é possível crescer com dedicação e propósito.”
⚖️ Mulheres conquistam espaço no Direito

Ane Caroline Vieira, professora do curso de Direito: “Durante muito tempo, as mulheres não tiveram visibilidade e permaneciam vinculadas aos pais, maridos e familiares. A luta por espaço no mercado de trabalho e na sociedade foi um dos fatores que me motivaram a escolher o Direito. É um curso que nos inspira a buscar não apenas os nossos direitos, mas também os das outras pessoas.
A trajetória feminina não foi simples. Em determinado período, era necessário ter autorização do pai ou do marido para estudar, o que limitava a autonomia das mulheres. Com o passar do tempo, e fruto de muitas lutas e do processo de redemocratização, alcançamos o Estado Democrático de Direito, consolidado na Constituição Federal de 1988, que assegura a igualdade de gênero.
Muitas mulheres participaram de movimentos culturais, educacionais, sociais e políticos, e são grandes referências. Atualmente, podemos destacar nomes como o da ministra Cármen Lúcia, que ocupa uma posição de destaque no Poder Judiciário e contribui para uma aplicação do Direito com perspectiva de gênero.
O curso de Direito é um dos mais tradicionais do país e, ao longo dos anos, tem se tornado cada vez mais ocupado por mulheres. Hoje, vemos a presença feminina em diversas áreas: na advocacia, nos tribunais, na segurança pública e no meio acadêmico. No entanto, ainda é necessário um esforço coletivo da sociedade e do poder público para que a igualdade prevista na Constituição se concretize plenamente.
Participar deste programa foi uma oportunidade de compartilhar diferentes vivências e percepções do cotidiano das mulheres, que também refletem em nossa atuação profissional. Estar reunidas nesse espaço é fundamental para inspirar outras mulheres. A nossa presença, seja no ambiente acadêmico ou no mercado de trabalho, tem um papel importante na construção de novas trajetórias. O conhecimento é uma ferramenta poderosa para romper barreiras e transformar realidades.”



