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Grupo Educacional Fupac/Unipac

Quando procurar um psicólogo? Professores da UNIPAC Lafaiete explicam

Quando procurar um psicólogo? Professores da UNIPAC Lafaiete explicam

Quando procurar um psicólogo? Professores da UNIPAC Lafaiete explicam

Quando procurar um psicólogo? Professores da UNIPAC Lafaiete explicam

Quando procurar um psicólogo? Professores da UNIPAC Lafaiete explicam

Quando procurar um psicólogo? Professores da UNIPAC Lafaiete explicam

Quando procurar um psicólogo? Professores da UNIPAC Lafaiete explicam

Quando procurar um psicólogo? Professores da UNIPAC Lafaiete explicam

A participação do curso de Psicologia da UNIPAC Lafaiete, no programa Fala Mulher, da Rádio Queluz, trouxe um tema importante: quando devo procurar um psicólogo? Em entrevista à jornalista Kátia Matos, os professores Ângela Melo e Michel de Rezende Costa explicaram as várias vertentes em que o profissional pode contribuir para as pessoas e também para a sociedade.

Kátia: Muitas pessoas acreditam que só devem procurar um psicólogo quando estão em uma crise. Isso é verdade?

Michel: Pensamos na crise quando a pessoa está passando por sofrimento psíquico. Mas é interessante perceber que a crise pode estar enraizada em vários processos da vida, no contexto em que ela vive, nas relações que possui e no cotidiano.

Viver é um desafio, nossa existência nunca está pronta. O fato de a gente existir é uma crise, no sentido positivo: quando vamos procurar desenvolver habilidades, enfrentar novos desafios, entender que os obstáculos fazem parte da nossa rotina, mas a gente não pode desanimar diante deles.

Contudo, existem pessoas que entram em um processo de paralisia diante de várias situações, e isso não é porque são fracas, mas porque estão passando por um momento muito particular e que necessita de diálogo.

Nós, da Psicologia, apostamos na palavra enquanto mediação para as situações de conflito. Então, poder conversar sobre determinado ponto, de forma técnica, precisa e de acordo com os fundamentos científicos da Psicologia, ajuda a pensar em novos caminhos e possibilidades.

Não é que a Psicologia vai dar uma resposta pronta, mas ela vai ajudar a entender os processos que desencadearam aquela crise. Podemos fazer uma metáfora com um dia de neblina, em que a gente não consegue enxergar longe. O psicólogo vai, nas diversas formas de terapia e psicoterapia, oferecer subsídios para ajudar a pessoa a caminhar nesse processo e a não ficar paralisada.

E, além das situações de adoecimento, há outros pontos de contribuição da Psicologia, por exemplo, na orientação profissional e vocacional, no desenvolvimento pessoal, entre outros.

Kátia: Quais são os principais sinais de que uma pessoa precisa buscar ajuda psicológica?

Ângela: Temos que considerar que o sofrimento é próprio do ser humano. A gente lida com muitas adversidades. Reduzir o trabalho da Psicologia a um momento de crise nos impede de ver a contribuição que ela tem a oferecer em diferentes âmbitos e contextos.

A crise tem uma história, tem um processo de construção. O psicólogo vai atuar na prevenção e na identificação das potencialidades desse sujeito antes de chegar a esse momento que a gente chama de crise, que pode ser uma perda, um processo de luto ou a quebra de um vínculo. Então, o psicólogo não vai entrar só nesse lugar de tapar uma ferida ou resolver um problema.

Mas, quando pensamos em sinais, é importante considerar: o sujeito está passando por uma experiência que tem causado prejuízos nas suas relações familiares ou no contexto de trabalho? Ele mudou seus hábitos e comportamentos? Costumava realizar atividades e ter satisfação com o trabalho, com as relações familiares, amorosas e sociais, e já não observa mais isso? Você percebe uma alteração significativa, uma angústia ou um sofrimento persistente e duradouro? Esses sinais já indicam a necessidade de um acompanhamento profissional.

Kátia: Como diferenciar um momento difícil da vida de uma situação que exige acompanhamento profissional?

Michel: Quando há uma modificação brusca na vida e a pessoa começa a sentir prejuízos em relação à sua rotina. Estava acostumada com o ritmo de trabalho, com um contexto familiar, e começa a apresentar um processo de retraimento, distanciamento; às vezes, uma desorganização do pensamento ou um aumento da irritabilidade.

A diferença entre o sintoma patológico e aquilo que é uma reação comum no dia a dia é uma linha muito tênue. É como afinar uma corda de um violão: se a gente aperta muito ou afrouxa muito, o som não vai sair da forma adequada. A gente precisa encontrar um equilíbrio.

Dessa forma, também costumo comparar a relação entre tristeza e depressão. Por exemplo, no luto ou no término de um relacionamento, é comum atravessar um momento de tristeza, e é muito importante respeitar esse momento. Contudo, existem pessoas que começam a apresentar um nível de sofrimento muito acentuado. É preciso observar, pois é isso que nos possibilita realmente diferenciar.

Ângela: Temos que considerar também a intensidade, a persistência e a frequência com que esse sujeito vivencia essa angústia e esse sofrimento. Por exemplo, quando o luto deixa de ser passageiro e se torna uma tristeza contínua e, então, todos os dias essa pessoa se sente assim, prejudicando suas relações e seu trabalho.

Além disso, a gente pensa que é muito fácil observar um sinal de que a pessoa precisa de ajuda, mas nem sempre é possível. Muitas vezes, isso ocorre de forma silenciosa. A pessoa não vai dizer ou nem mesmo perceber que necessita de atenção e cuidado.

Kátia: O sofrimento emocional sempre se manifesta por meio da tristeza ou existem outros sinais?

Michel: Existem outras formas também. Às vezes, a pessoa que pensamos estar em crise é aquela que está com agitação psicomotora, chega chorando, gritando. Mas existem crises que se dão no silêncio, no retraimento, e são imperceptíveis em relação à realidade. É preciso muita sensibilidade para perceber cada uma dessas situações, que representam mudanças bruscas na vida da pessoa e podem indicar que ela está em um nível significativo de sofrimento.

Sabemos que todo sentimento é uma reação ao ambiente em que estamos inseridos. Por exemplo, se alguém me provoca raiva, a raiva é um sentimento que faz parte da gente. Isso é uma condição necessária e comunicativa do psiquismo.

Contudo, quando isso atinge um nível de gravidade, é preciso pensar em como construir pontes de apoio. Esse é o processo terapêutico, em que vamos trabalhar com a palavra, com o silêncio e com as orientações. Isso vai ajudar a pessoa a organizar estratégias de enfrentamento daquela situação.

Kátia: Ansiedade e estresse fazem parte da rotina. Como saber quando eles deixam de ser “normais”?

Ângela: A ansiedade, o medo e a tristeza são emoções importantes para a nossa sobrevivência; fazem parte do ser humano. A gente não pode tentar eliminar todos os nossos afetos e todas as nossas emoções. A questão é quando isso se constitui como um excesso, quando a ansiedade e o estresse prejudicam as relações, provocam adoecimento, tornam-se um empecilho para que você consiga se desenvolver, tenha uma vida satisfatória e afetam sua qualidade de vida. E não devemos psicopatologizar tudo. Achar que tudo é um problema, que tudo é uma doença, que tudo precisa ser eliminado.

Voltando à questão da crise, temos que pensar: precisa chegar a uma situação como essa para eu cuidar de mim? Preciso chegar a uma crise de ansiedade ou a uma situação de burnout, por exemplo? Precisamos ficar atentos ao que sentimos, e não apenas ao que pensamos ou racionalizamos.

Kátia: Qual é a importância das relações familiares e sociais para a saúde mental e para o processo de cuidado psicológico?

Michel: Um ponto da Psicologia Social é pensar em como a nossa identidade vai sendo construída a partir dos outros. Se a gente for pensar, quem nos deu o nome e aquilo que mais nos caracteriza foram nossos pais e familiares. Existe uma história que é anterior à nossa colocação no mundo.

E esse ser com os outros, esse processo de construção, é necessário. Uma aposta da Psicologia é perceber que essa rede de relações pode ser também uma rede de proteção, cuidado, percepção e acolhimento.

A visão geral das pessoas é a forma tradicional da Psicologia, aquela do consultório, de forma restrita e voltada apenas para aqueles que já estão em um processo de sofrimento. Mas, ao longo do tempo, as pesquisas em Psicologia ampliaram essa visão para trabalhar a prevenção, os grupos, no sentido de movimentar afetos e propor soluções em organizações em geral.

Então, hoje, o campo da Psicologia é cada vez mais amplo. Temos psicólogos nos contextos organizacional, jurídico e forense, nas instituições, na área da saúde, da educação e do desenvolvimento social, em contextos de emergência e urgência, como quando há desastres, além de sua atuação em ONGs e outras organizações. É, portanto, um campo de trabalho muito vasto.

Kátia: Existe uma idade ideal para começar a terapia ou qualquer pessoa pode se beneficiar?

Michel: Existem intervenções na Psicologia nas diversas fases do desenvolvimento. É interessante perceber que, desde o processo de gestação, do parto e do puerpério, passando pela primeira infância e pela segunda infância, em todos os momentos vemos que a presença do psicólogo pode ser benéfica.

Mesmo um bebê ou uma criança na primeira infância, ainda que não saiba falar, apresenta expressões, sentimentos e afetos que estão sendo organizados. Hoje, há psicólogos que atendem pais desde a gestação e depois do nascimento, com orientação em relação à estimulação, à compreensão dos afetos e aos aspectos subjetivos do momento que estão vivendo.

Kátia: Muitas pessoas sentem vergonha ou medo de procurar um psicólogo. Por que esse preconceito ainda existe?

Ângela: Há muito estigma relacionado à saúde mental e ao sofrimento psíquico. Muitos veem o psicólogo como aquele que vai dar um diagnóstico, o que, no senso comum e de forma muito estigmatizada, é associado à ideia de “você é doido”. É muito problemático o imaginário que se tem sobre aquilo que se chama de loucura. Essas pessoas pensam no psicólogo como alguém que vai dizer que elas têm um problema e que vai decifrar o que se passa com elas. A Psicologia pensa também nas potencialidades do sujeito, no autoconhecimento, na promoção e na prevenção, no trabalho social e no fortalecimento de vínculos.

Michel: Este preconceito é originário do estigma que a nossa sociedade tem com relação ao sofrimento psíquico. Por exemplo, dizer que uma pessoa não responde por si, que é louca, que depressão é coisa de fraco ou é falta de fé. Isso, muitas vezes, distancia a pessoa do profissional de Psicologia e de outros profissionais do campo da saúde mental.

Psicologia Social

Kátia: O que é Psicologia Social e como ela se diferencia das outras áreas?

Ângela: A Psicologia é muito plural. Então, nós temos vários campos de atuação, abordagens e formas de pensar. A Psicologia Social é uma área de produção de conhecimento que vai pensar as relações entre a pessoa e a sociedade. Vamos imaginar a atuação do psicólogo social em um Centro de Referência de Assistência Social, no campo das políticas públicas de saúde e sociais. O trabalho é realizado em nível grupal e comunitário.

A Psicologia Social vai adotar um olhar psicossocial sobre o sofrimento, que antes a gente colocava como sendo da ordem individual. Por exemplo: se você está ansioso, o problema é seu. Porém, a Psicologia Social não pensa assim, mas considera também a dimensão da singularidade — a história de cada um —, a dimensão social e cultural e as questões políticas e econômicas.

Com todos esses atravessamentos, percebemos que a situação fica mais complexa, não se reduzindo a uma única resposta, mas abrindo possibilidades.

Michel: A gente fala muito do autocuidado, e ele é extremamente importante, mas é necessário pensar no cuidado coletivo, que precisa ser discutido. Vamos pensar no caso das redes sociais. Uma pessoa vítima de hater é impactada por isso, mas o problema circula em um ambiente social e coletivo. Então, temos que pensar no acolhimento da vítima, mas também precisamos pensar coletivamente em como melhorar as redes sociais.

Kátia: Como as redes sociais impactam o comportamento e a autoestima das pessoas?

Ângela: O que a gente vê é a captura de um momento, e não o que está por trás. E, quando a pessoa vê apenas a perfeição, ela também quer aquilo. Outro ponto é que as redes sociais também são espaços de produção de cultura e de fortalecimento de vínculos. Mas estamos tratando aqui da dimensão ilusória, fantasiosa, que pode ser adoecedora e, neste ponto, é difícil alcançar uma justa medida. É sempre bom refletir: até que ponto o que você vê diz, de fato, respeito a uma realidade alcançável?

Kátia: Fatores como desemprego, violência, preconceito e desigualdade afetam a saúde mental da população?

Ângela: Com certeza. É um sofrimento mediado pela injustiça social. Ou seja, racismo, sexismo e experiências que se dão no coletivo constituem a nossa experiência subjetiva. Essas situações de violência, preconceito e desigualdade, com certeza, vão atravessar a experiência do sujeito.

Michel: Uma palavra que as pessoas usam muito é adaptação. A gente precisa se adaptar aos novos tempos, mas precisamos nos adaptar a situações de preconceito, violência, bullying e assédio dentro do trabalho? Nesses casos, não. A gente precisa mudar essa situação. Alguns teóricos da Psicologia falam que, nesse caso, um sintoma denuncia algo social. Então, é preciso verificar quais intervenções precisam ser feitas naquele lugar.

Atendimento psicológico gratuito

Na UNIPAC, a Clínica Escola de Psicologia oferece atendimento gratuito para pessoas de todas as idades. Para agendar um atendimento, entre em contato pelo telefone 3769-4044 ou pelo WhatsApp 99976-1298, das 13h30 às 22h.

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