Durante o I Encontro Cultural de 2026, realizado pela Unipac de Uberaba, estudantes e professores participaram de um debate que aproximou as áreas do Direito e da Psicologia a partir da análise do filme O Filho de Mil Homens (Netflix, 2025). A obra serviu como ponto de partida para reflexões sobre afeto, novas configurações familiares e o direito de pertencer.
A palestrante Mônica Cecílio destacou que o filme evidencia a superação do modelo tradicional de família fundamentado exclusivamente nos laços biológicos, trazendo à tona o conceito de família socioafetiva. Segundo ela, o Direito das Famílias contemporâneo reconhece que os vínculos familiares podem ser construídos a partir do afeto, da convivência e da chamada “posse do estado de filho”, ou seja, do reconhecimento social e emocional de alguém como filho, independentemente da origem biológica. No enredo, o personagem Crisóstomo simboliza esse princípio ao acolher Camilo e assumir, por escolha, o papel paterno, reforçando a ideia de responsabilidade afetiva.
A psicóloga Marli Assis, por sua vez, ressaltou que o filme aborda o processo de cura emocional por meio do sentimento de pertencimento. De acordo com ela, personagens marcados por traumas, rejeição e solidão encontram, uns nos outros, uma nova base de apoio e reconstrução afetiva. A análise psicológica evidencia que o conceito de família pode ser entendido como um espaço de cuidado, segurança e acolhimento.
Para os participantes do encontro, a narrativa apresentada em O Filho de Mil Homens convida à reflexão sobre as múltiplas formas de construir laços familiares na contemporaneidade. A obra reforça a ideia de que a família vai além da biologia, sendo formada por relações de cuidado, afeto e convivência diária.









